sexta-feira, 24 de abril de 2020

Quarentena (dia 43)

Acho que como quase todo mundo, em lockdown há 43 dias, algumas coisas ficaram meio sem-graça, como, por exemplo, escrever por aqui.

Há poucas razões pra conseguir diferenciar os dias da semana. Repito, aqui na Espanha efetivamente estamos em casa. Lojas fechadas e, mesmo morando no centro, não dá pra saber direito que dia da semana é.

Isso dito, hoje teve um dos pequenos prazeres durante a pandemia, um dos que ajudam a saber qual o dia da semana. Na sexta-feira de manhã, são liberados novos episódios de dois dos podcasts que mais gosto. Ou seja, hoje é sexta e já me diverti com os dois podcasts.

Agora, já começam a aparecer notícias de que vão começar a flexibilizar o lockdown, de modo que talvez na semana que vem eu já possa andar um pouco pela rua a até 2km de casa. Parece pouco, mas pra quem não tem nada, é muito.
 

domingo, 29 de março de 2020

Quarentena (dia 15)

Os dias já parecem todos iguais. Há uma sutil diferença entre os domingos e as segundas porque se vê da varanda uma ou outra alma passando pela rua no dia útil. Mesmo morando no centro da cidade, o movimento é mínimo.

Engraçado que até parei de escrever por aqui, já que cada dia parece uma repetição do anterior, não tenho novidades. Saí de casa pela última vez na quarta-feira e hoje, domingo, fui na rua colocar o lixo de vidro pra fora (aqui a coleta é separada). Obviamente, busquei uma lixeira um pouco mais distante e caminhei, entre ida e volta, talvez uns 600 metros.

Foi bom. Apesar de não ser ruim ficar em casa - essa aqui é confortável - não há nada como a sensação de liberdade que uns passos nas ruas (vazias!) dá.

Uma hora essa pandemia vai passar e não seremos os mesmos depois dela. E acho que isso será bom.

domingo, 22 de março de 2020

Quarentena (dia 9)

Bom, falar o quê? Nono dia em casa. Saídas na rua na média a cada dois dias, ou pra ir ao supermercado ou pra colocar pra fora o lixo.

O contato social aqui é mínimo, mesmo antes de quarentena, pois não tenho qualquer vida social: sem amigos, família, colegas de trabalho, etc. Portanto, não foi tão estranho. O pior é, sem dúvida, não poder andar. Sair na rua. Uma forma de prisão, obviamente.

Mas o mais impressionante é que, mesmo com o dia todo à toa, preso em casa, sempre tenho a sensação à noite que li menos do que poderia ter lido, fiz menos do que poderia ter feito. Talvez valha a pena tentar disciplinar de algum modo meu dia. É exatamente o contrário da minha proposta pro ano sabático, mas antes tinha trilhas pra explorar, passeios pra planejar e piscina pra me exercitar. Agora mudou tudo e, sendo assim, talvez invente alguma rotina dentro de casa.

Ah, comecei a fazer 25 minutos de exercícios. Busquei pela internet. Uns apoios de braço, uns abdominais e coisas parecidas. 4 exercícios, poucas séries. Contado os intervalos não passa de 25 minutos. O que achei? Uma merda. Não tem coisa mais desagradável pra mim do que malhar. Definitivamente. Mas tentarei continuar até que voltem os dias de liberdade. Funciona como uma obrigação pra me manter minimamente ativo.
 

sábado, 14 de março de 2020

Coronavírus

Pandemia: (s. f.) [medicina] enfermidade epidêmica amplamente disseminada.

Chegamos nas Canárias dia 22 de janeiro, cerca de uma semana antes da Organização Mundial da Saúde soltar o aviso de que se tratava de uma enfermidade de preocupação. Verdade que o pau já tava cantando na China e eles já estavam contendo o espalhamento pesadamente, inclusive já tinha acontecido o lockdown de Wuhan.

Em fevereiro, na Costa Adeje, sul da Ilha de Tenerife, já tinham colocado mais de 600 turistas em quarentena num hotel com hóspedes italianos testados positivamente pra COVID-19.

Bom, como era esperado, o vírus se espalhou - não por causa do povo do hotel, que até já foi liberado, mas pelo mundo e no continente Europeu - e as medidas de restrição finalmente nos alcançaram aqui nas Canárias. Claro, não antes de morrer gente em Madrid e no País Basco espanhol. Aparentemente, o pessoal na Europa não deu a devida atenção ao que tava rolando na China e perdeu tempo precioso na implementação de medidas de contenção e mitigação.

E como está aqui? Hoje, 13 de março, todos os espaços públicos de serviços e esportes estão fechados por 2 semanas. No meu caso, a biblioteca (fui lá hoje pra pegar minha carteirinha e já tava fechada! Ao menos uma semana antes deu pra pegar um livro que só vou devolver sabe-se lá quando...) e a piscina. Esta última, minha principal atividade de ócio, digamos. Tinha também muita gente nos supermercados comprando mais do que vemos normalmente nas sextas-feiras e esgotando papel higiênico. Vai entender. Ah, as escolas estão também fechadas e todos os eventos esportivos e culturais suspensos ou adiados.

E o que esperar? Bom, na verdade, nada especial. É ficar ainda mais em casa. Eu saio muito pra andar, passear, correr, nadar. Mas isso não está impedido nem há recomendação contra. O que se pede - e uma das mudanças é acompanhar com frequêcia o noticiário local - é que se evite a todo custo aglomerações. Isso vai ser fácil. Portanto, como não temos amigos aqui e a atividade social é nula, ficaremos ainda mais em casa, entre nós, tomando vinho e vendo filmes.

Fiquei sem a piscina, sem a biblioteca e sem a NBA aos domingos. Um preço módico a se pagar dada a seriedade da coisa, principalmente para os mais velhos. É bem possível, diria até provável, que eu venha a sentir os impactos no final do meu período aqui. Eventuais viagens talvez não possam ser feitas, tanto pelo coronavírus quanto pela gigante alta do euro, o que provavelmente vai resultar no meu retorno um pouco antecipado ao Brasil. Fazer o quê? Vamos esperar e ver.

Mas com mais tempo em casa, talvez acabe escrevendo mais por aqui.

sexta-feira, 13 de março de 2020

Canariando

Comentei por aqui no blog que as novidades vão rareando. Afinal de contas, não se faz todo dia uma coisa diferente.

Bom, todo dia não, mas uma vez por semana a gente tenta. E nem é tão diferente, já que eu arrumo uma trilha pra fazer. A de hoje, foi uma trilha local, a SL-TF 292 Samarines. 2km, até um pouco sem graça se não fosse a quase constante companhia de ninguém mais que o Atlântico.

Fui de ônibus fácil, desci perto do fim da trilha, caminhei até a cidade de Candelária, que é uma graça. A vantagem é que eram vários ônibus possíveis, já que é pertinho de Santa Cruz. Inclusive, foi a razão de eu ter desistido da outra trilha que faria farei uma dia desses. 

Mas vou deixar as fotos falarem por mim.












quinta-feira, 12 de março de 2020

Experimento

Ante-ontem, dia 10, eu decidi que ficaria todo o dia 11 sem ler notícias do Brasil. Por incrível que pareça, eu quase não leio as daqui - o que já comecei a fazer, até pra saber mais sobre o COVID-19 - mas leio normalmente as do Brasil, como se ainda lá estivesse. Os hábitos são uma fortaleza.

Achei legal a experiência. Além de diminuir as contrariedades sobre a atual situação do Brasil, já que não fico sabendo das últimas baixarias, cumpro meu objetivo inicial que era o de usar esse sabático para descansar a mente.

Claro, mantenho o contato com o mundo e ainda estou em 3 ou 4 grupos de whatsapp de baixo movimento. Obviamente faço questão de me manter comunicável e ao alcance dos meus pais, irmão e sobrinhos. Deles não preciso descansar.

Aliás, o experimento que não tinha data pra acabar durou só um dia por causa de outro fator externo: uma piada que meu irmão fez entre o Cruzeiro e o coronavírus. Aí não aguentei, tive que ir ver a notícia do futebol. Mas, como não tive nenhuma contrariedade, continuo o experimento depois.
 

terça-feira, 10 de março de 2020

Devagar quase parando

Na verdade, eu não parei de escrever. Só que, como me proponho a fazer só o que quero e geralmente quando quero, nesta semana não escrevi até hoje. E não escrevi simplesmente porque não me veio nada à cabeça. É que tem dias que são simplesmente comuns e não pinta nenhuma inspiração.

Essa semana tô planejando trilha, talvez veja algo que me desperte a escrever. Senão, é assim mesmo. E segue o jogo.